quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Querida Beltrana
Você bem sabe da importância de se cortar os cabelos e da sua relação direta com o balanço das saias. Desse jeito, como você fez, houve bom balancê. Parabenizo.
Neste momento sou eu que preciso de alguma mudança, talvez mude de ombros ou de textura de pele. É que por dentro já não sou mais a mesma, porque ninguém é. A diferença é essa minha consciência das mudanças.
Por isso, não se assuste se me achar irreconhecível, é que algo de fora deve acompanhar o que se passa dentro.
mando muitos beijos fortes, pois somos da força apesar do lilás.
senhorita rita.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Desvio
Cor de Rosa Choque

domingo, 4 de outubro de 2009
Declaração
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Amor
de Adélia Prado
A formosura do teu rosto obriga-me
e não ouso em tua presença
ou à tua simples lembrança
recusar-me ao esmero de permanecer contemplável.
Quisera olhar fixamente a tua cara,
como fazem comigo soldados e choferes de ônibus.
Mas não tenho coragem,
olho só tua mão,
a unha polida olho, olho, olho e é quanto basta
pra alimentar fogo, mel e veneno deste amor incansável
que tudo rói e banha e torna apetecível:
cadeiras, desembocaduras de esgotos,
idéia de morte, gripe, vestido, sapatos,
aquela tarde de sábado,
esta que morre agora antes da mesa pacífica:
ovos cozidos, tomates,
fome dos ângulos duros de tua cara de estátua.
Recolho tamancos, flauta, molho de flores, resinas,
rispidez de teu lábio que suporto com dor,
e mais retábulos, faca, tudo serve e é estilete,
lâmina encostada em teu peito. Fala.
Fala sem orgulho ou medo
que à força de pensar em mim sonhou comigo
e passou o dia esquisito,
o coração em sobressaltos à campainha da porta,
disposto à benignidade, ao ridículo, à doçura. Fala.
Nem é preciso que amor seja a palavra.
"Penso em você" – me diz e estancarei os féretros,
tão grande é a minha paixão.
domingo, 13 de setembro de 2009
Com licença poética
de Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
[in Bagagem: 1993/Adélia Prado. - São Paulo: Siciliano]
sábado, 5 de setembro de 2009
PRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR
de Hilda Hilst
I
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.
II
Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)
[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]
[in Poesia: 1959-1979/ Hilda Hilst. - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Cartas
escrevo só para te contar minha recente descoberta: acredito em sensibilidade masculina tanto quanto nunca acreditei em papai noel, coelhinho da páscoa e seus outros parentes místificados. Não passam, todos eles, de seres fantasiosos que, ameaçadores, se colocam à nossa frente em momentos de tranquilidade e nos leiloam os sentidos, os sentimentos e as sensações.
Para o diabo com os valores!
Já me basta não ter um coração (que vale por dois) quando decido sentir! Ainda tenho que tirar prova da qualidade das minhas ações, da profundidade das minhas paixões e etiquetar minhas emoções?
Para o inferno com os homens!
Eles todos! Incluindo os que se fazem ou se dizem sensíveis, mas só entendem de dores no saco. Nada sobre peitos inchados, nada sobre retenção de líquido nesse maldito período pré-menstrual, nada sobre como os hormônios nos derrubam aos pés da vulnerabilidade, nada sobre como é acreditar que, de fato, apaixonar-se é algo que pode fazer bem.
Um abraço e te cuida,
Fulana.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Desejos?
Quero todos os homens aos meus pés. É uma espécie de vingança contra eles e a mim mesma. Depois, o que dizer da vida senão esse lampejo de lucidez? O desejo de não apenas me sentir superior a eles, mas de estar no controle de todas as suas ações.
Sei com que olhos me olham, tentam decifrar-me e não podem. Tentarão me armar arapucas, mas o que não esperam é que eu não sinto fome. Jamais estarei presa em suas gaiolas. Enquanto eles rastejarem me moverei com os pés sobre suas cabeças. Seus corpos nus serão meu chão. Caminharei apoiada neste sonho infantil e meu destino certo será incerto.
12.08.08
sábado, 4 de julho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Cartas
Amiga Cecília,
Eu já tentei de tudo! De bloquear no msn a deletar do orkut. Apaguei a agenda do celular, num lapso de revolta e sofrimento e contenção. Porque acabei chamando o número numa tarde de cólica e carência. Muito mais por carência do que pela cólica, admito. Agora, tenho pesadelos à noite e sequer posso ligar e saber se ele está bem, ou talvez esteja até bem demais e com outra. Não respiro. Só tenho tempo de esquecê-lo quando acendo meus cigarros. E o mês já chega ao fim e não sobrou dinheiro para comprar mais maço nenhum. Ou seja: a opção que me resta é lembrar. Não que doa tanto quanto daquela última vez, sabe? Em que a minha queda foi mais alta do que o 4º andar do prédio da Biblioteconomia, muito mais alta do que esses aviões de brinquedo que voam caindo por aí. Então, chega este menino – porque é um menino, você sabe – e me dá a mão para terminar de adormecer aquela dor de paixão mal-vivida. É tão ridículo dizer, parece que eu ainda acredito em contos de fadas. Logo eu, que nem me interessava mais por príncipes...
Um beijo da Fulana.
Por Stela Soares
+: http://sinnestesia.blogspot.com/ & http://ventanna.blogspot.com/
Cartas
Querida Lígia,
Compreendo perfeitamente as coisas por que tem passado. Também eu cá tenho sofrido com as mesmas e, mesmo encontrando forças em baldes de sorvete de morango e
Beijos e saudade da Beltrana
Diálogos?
Ele: Não resistiu à tentação?
Ela: Sou budista...
Ele: E qual foi a palavra mágica que eu disse para te convencer?
Ela: Você disse?
Ela ainda: E convenceu?
Diálogos?
Ele: Seja absolutamente sincera: o que quer aqui?
Ela: Vida inteligente, a princípio, seria ótimo.
Ele: Lá no fundo mesmo... sexo? amor? companhia?
Ela: Sexo com quem tenha o que dizer depois é sempre bom...
Ele: Diga o que quer.
Ela: Alguma novidade, talvez...
Ele: E como você é?
Ela: Ainda é preciso aprender mais a respeito, nada de tese formulada ou de manual... ainda.
Eles: (...)
Ele: Estou começando a ficar entediado...
Ela: Que sorte a sua! Já estou faz tempo...
Diálogos?
Ele: Qual o seu nome?
Ela: Um nome é só um nome.
Ele: Qual é?
Ela: Que diferença faz?
Eles: (...)
Ele: Seu nome remete ao pecado mais que a maçã!
Ela: Cada um na sua, o mundo não é grande, mas nele ainda cabe todo mundo.
Ele: Fale-me mais sobre você, me conte, sou curioso...
Ela: Não tenho nada para dizer... Mas se quiser contar alguma coisa, sou toda olvido.
domingo, 3 de maio de 2009
Bilhetes...
Querida Rita,
Nem te conto tudo o que tem sido essa minha difícil vida. Já há muitos meses não sei o que é um final de semana em um reconfortante spa, mais de 3 com certeza. E embora seja fina, elegante e destemida, sou mulherzinha e preciso de conselhos. Você acha mesmo que esse corte combinou comigo? Fico sensual com esse baton? E o que eu faço com os homens? Entendi... Mas, só isso?