terça-feira, 28 de junho de 2011

Cartas

a um já amado.

queria achar uma música, um poema, qualquer coisa capaz de dizer esta sensação de não me sentir em casa. talvez nenhum poeta tenha se disposto a mergulhar neste redemoinho sutilmente revolto: tantos cantos ao adeus, e nenhum deles saberia traduzir o que é acender a luz da sala e não alcançar um atenuante traço da sua presença. 
as paredes estão vazias e o chão me engole. aqui foi sempre assim, frio? não preciso fechar os olhos para chegarem lembranças, o que se foi está inscrito em mim. e me rasgo em minhas palavras, no orgulho do que jamais te direi, no que nem tive coragem de sentir.
ficou só um gato pingado, ao meu lado na cama, no lugar que antes era seu. se eu pudesse, te pediria: "voa! veleja!" não adianta nada regar uma flor que já vai nascer seca.

4 comentários:

  1. e nao nasceu seca... Viceja, promote cheiro do que eh bom e alegrias pros olhos. E qta inspiracao! Lindo! :)

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  2. inspiração, nada, foi um cisco que caiu no meu olho...

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  3. Com outros traços de outras cores, construi-se uma nova casa e um novo jardim. ;-)

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